Pobre Chapeuzinho

- Mas, tome muito cuidado. Não converse com estranhos, não diga para onde vai, nem pare para nada. Vá pela estrada do rio, pois ouvi dizer que tem um lobo muito mau na estrada da floresta, devorando quem passa por lá.
(...)
Então o Lobo disse:
"Dispa-se e venha para cama comigo"
"O que faço com meu vestido?", questionou Chapeuzinho.
"Jogue na lareira. Não precisará mais disso", respondeu o lobo.
E para cada peça de roupa que a garota retirava, copete, anágua, meias, a garota refazia a mesma pergunta, e o lobo respondia:
"Jogue na lareira. Não precisará mais disso"
Então a garota deitou-se ao lado do lobo, e ao sentir o toque do pelo roçar em seu corpo disse:
"Como a senhora é peluda vovó!"
"É para te esquentar, minha neta", respondeu o lobo.
"Que unhas grandes a senhora tem!"
"São para me coçar, minha querida"
"Que dentes grandes a senhora tem!"
"São para te comer"
E então a devorou....
Fim.
Charles Perrault
(1628-1703)
Membro da alta burguesia, Perrault foi imortalizado por criar uma literatura de cunho popular que caiu no gosto infantil e contou também com a aprovação dos adultos. Com pouco mais de 50 anos, trocou o serviço ativo pela educação dos filhos. Movido por esse desejo, começou a registrar as histórias da tradição oral contadas, principalmente, pela mãe ao pé da lareira.
O conto de Chapeuzinho Vermelho, adaptado primeiramente no século XVIII por Charles Perrault para o folclore francês através de uma compilação de contos e mitos populares.
O final feliz que conhecemos, onde surge um caçador que salva a menina das garras do lobo, só foi adicionado pelos Irmãos Grimm no século XIX. O conto original servia para os aldeões ensinarem as filhas virgens a não atenderem a chamados e pedidos de estranhos e não tinha a intenção de ser um conto de fadas, sendo o intuito dele educar pelo medo da morte. Outros contos da mesma época também tem finais trágicos em suas versões originais.
3 Responses
  1. Contada assim fica, na verdade, uma história de terror!


    Beijo.


  2. La Vanu Says:

    Seria cõmico se não fosse trágico, não dirias João?
    E pensar que há tanta atualidade em Perrault!
    Bj


  3. Eduardo P.L Says:

    Já vi esse Chapéuzinho antes....srsrs

    Bom texto!